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Esfiha Juventus quer crescer sem perder a tradição - Estadão


A Esfiha Juventus é um desses negócios paulistanos que fazem da tradição o seu produto. É claro que ninguém entra no salão ampliado que ocupa o mesmo endereço há 47 anos na Mooca para comer história. O interesse da clientela são as esfihas, quibes e demais pratos típicos sírios. Mas do sabor dos quitutes ao carinho do dono, as coisas precisam permanecer mais ou menos da mesma forma, sob o risco de quebrar um acordo silencioso entre os dois lados do balcão - conjunto de experiências embutidas ao pacote de serviços da casa e que lhe garantem a sobrevivência.

Por essas e por outras, a missão de Celso Abrahão não é das mais fáceis. Filho do fundador, o filho de sírios Tamer Abrahão, ele é que assumiu a tarefa de conduzir o restaurante depois da morte do pai, em 1998. Engenheiro mecânico de formação, ele abdicou da carreira indústria para retomar o curso do sucesso da Esfiha Juventus à pedido da família.

"Não foi fácil. Eu queria mudar, mas enfrentei muitas resistências. No meu primeiro dia, reuni todo mundo e perguntei quem era o dono. Uns falaram meu pai, minha mãe, eu. Eu disse que o dono era o cliente, que a gente precisava trabalhar para ele", conta o dono que se denomina gerente e é o responsável por introduzir à rotina do estabelecimento a aceitação de cartão de crédito e débito (antes era apenas dinheiro ou cheque), uniformes para os gorçons e demais funcionários (eles vestiam calça jeans e um avental amarelo) e, o mais ousada das novidades: a informática.

"Os pedidos eram tirados à mão. Eu comprei palmtops e dei para os garçons. Ficou quase um ano guardado, sem ninguém usar", lembra.

Hoje a Esfiha Juventus é um estabelecimento inteiramente reformado. Do salão à cozinha, passando por inovações constantes no cardápio e até no serviço. Eles hoje operam um bem sucedido serviço de delivery, que atende do Ipiranga ao Tatuapé, uma área extensa. São também três fornos: um para o atendimento do público no balcão, outro para o salão e um apenas para o delivery.

Paralelo a isso, Celso Abrahão pensa em avançar. Ele quer novas unidades, em outros bairros, dentro de shoppings. Mas é preciso ir devagar, já que a franquia é uma opção descartada no momento (ele tem medo de perder a qualidade) e o desembolso para novas lojas, em São Paulo, é alto.

O empresário tem também a ideia de montar um ônibus para levar a Esfiha Juventus a shows e outros tipos de evento de grande porte.

O que não mudou é a equipe de profissionais. Alguns garçons estão por lá há 30 e poucos anos. Afinal de contas, apesar de tantas inovações, a tradição é um ponto importante no negócio da família Abrahão.

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http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,esfiha-juventus-quer-crescer-sem-perder-a-tradicao,4010,0.htm

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